sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Thiago

Você está em mim
Como o sangue que procura as veias
É a saliva que regozija a sede
Que a boca expõe
É a água da fonte que em sua desembocadura
Recorre à origem

Cada lei se transmuta
Em atos de abertura para uma figura fulgurante
A da permissão inédita
Da entrega dos pontos
Da rendição sobre o contato da pele

A mesma pele que não foi alvo de desejo no prius
Mas foi se desabrochando em meu pensamento
Em cada grito interno de dor
A dor que deveras se sente
Uma dor fingida e sentida sobre o entre do amor
Aquele mesmo amor que se ama
Que não o desperta sem que ele o queira
Capaz de derrotar a morte
Ou melhor: é a morte e a vida em toda a sua potencialidade
Se faz amorosa a desembocadura do amor
Que recorre à origem

Nesse tempo oportuno,
Dois corpos compõem o mesmo espaço
- A física, a fórmula não compreende as salivas
Não entende o permitir
Entende a lei das tábuas sagradas
Da moral irreversível
O amor não se entende: sente-se, sofre-se
Como o choque de um beijo que a língua percorre cada pedaço do corpo

O gemido, a dor, o rasgo, o sussurro, o apelo, a respiração.

Respiração sobre o ouvido que sente
Sobre cada fluxo de ar que percorre sobre o fundo mais fundo.

Permitiria em seus olhos
O que os lábios conduzem
Ao jogar-se em pleno abismo
Sem dimensão e sem volta

Ah, quanta necessidade de navegar seu corpo nu!
Quantas naus teremos que errar em auto mar
Mar meu de prantos que se transfiguram
Em sorrisos de pura plenificação

Cada abraço que o amor permite,
Provoca felicidade que em altares e auspícios
Cada afastamento que o acaso promove
Leva ao dolorimento bruto

É preciso entender os laços
E abrir os braços
Para a mecânica ofegante do suor mútuo

É preciso chorar
Gemer baixinho
Sentir o som que vem de dentro

É preciso não se render aos caprichos da forma
É voar lentamente sobre os seus fios de cabelo

É preciso ser menino!

Apagar o passado bruto
De Lestrigões, Ciclopes e Cérberos famintos
De carniça e sangue!

É de cada beijo que se mata um príncipe encantado
Dizendo não ao despermitir e sim ao afeto
É ter coragem e se jogar no mar aberto
Fúria em correnteza

É preciso quebrar os corações frios
Das estratégias, dos cálculos, dos calafrios, dos cadafalsos, dos rótulos e das maneiras.
O processo é o inimigo íntimo do amor.

Liberta-me da fênix cruel que resiste
Abra seus peitos para receber meu colo
Meu carinho, minha raiva, meus poros, meus fluidos, minhas bactérias
Receba-me como se você fosse eu!

Você está em mim
Como a flecha que mira o horizonte
Em busca do norte
E só vem a morte

Abra seus amores como o crepúsculo que se despe para a noite!

É na lua amorosa que se vê meu sorriso brando

É do seu toque que eu me sinto mais seguro

Fale sussurrando ao ouvido cansado de ilusões



Veja que você não é perfeito
(A perfeição é uma merda!)


Numa cama, teu afago chama
E meu mundo responde
No teu girar de corpo
Então eu grito
Eu respiro
Por dentro
Até junto, hermético
Explosão orgásmica!
Caótico drama interplanetário
Chega até os limites da gravidade
Voar para uma galáxia mais distante

Só resta a fadiga
E a inspiração pesada...

Por favor!
Me ensina
A ser
Seu menino!


Caiko Figueiredo
Em 04/01/2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário